Stabat Mater

 

 

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Stabat Mater ("Estava a mãe") corresponde às duas primeiras palavras do hino Mariano, a partir de um poema medieval, que descreve a angústia da Virgem Maria durante a crucifixão. Comecei a me interessar pelos Stabat Mater a partir de dois dos considerados cinco grandes exemplos de composição musical para esse magnífico texto, o de Vivaldi e o de Pergolesi, reunidos num único CD adquiridos em 1996. De acordo com Otto Maria Carpeaux, os cinco grandes Stabats foram compostos por Vivaldi, Pergolesi, Haydn, Verdi e Rossini, embora alguns ainda atribuam ao Stabat de Emmanuelle d'Astorga, como maior que o de Pergolesi. O Stabat de  Pergolesi é talvez o mais famoso e mais executado, tendo inclusive feito parte do Programa "Concerto em Igrejas", patrocinado pela Prefeitura do Recife (embora na execução tenham sido amputados alguns movimentos e o órgão). Foi executado pela Orquestra Sinfônica do Recife em 23 de março de 1999, tendo como solista a soprano Amarilis de Rebuá e a mezzo-soprano Regina Elena Mesquita, sob a regência do maestro Carlos Veiga. 

A partir destes 5 Stabats (o que deu mais trabalho de achar foi o de Haydn) comecei a garimpar outros pela Internet e nas lojas de discos e descobri que existem centenas deles. No fim do texto descreverei os que tenho e alguns sites de interesse, os quais tomei como referência e traduzi, já que textos em português sobre o assunto são raros (até o momento que estou escrevendo - 02/12/2000 - não conheço nenhum). Darei ênfase às composições do barroco tardio, pois são as que mais aprecio. Os comentários são exclusivamente meus.

O texto

Existem dois tipos de Stabat Mater, o Dolorosa  e o Speciosa, sendo usado liturgicamente o primeiro. O Speciosa comemora Maria junto à manjedoura; o  Dolorosa retrata o sofrimento de Maria na cruz. O Speciosa contem 13 stanza (duplas) de 6 linhas; o dolorosa, 10. O Dolorosa é o executado no mundo da Música Sacra Erudita. 

A maioria do que existe escrito sobre o Dolorosa  atribui a autoria do hino a Jacopone da Todi, um abade franciscano que morreu em 1306. A Igreja só aprovou oficialmente seu uso litúrgico em 1727, quando foi incluído no Breviário Romano e no Missal para a Festa das Sete Dores, dividido em Vésperas (Stabat mater dolorosa), Matins (Sancta Mater, istud agas) e Laudas (Virginum virgo praeclara). Entretanto Georgius Stella, chanceler de Genoa (d. 1420) em seus Annales Genuenses" diz que ele começou a ser usado pelos Flagellantes  em 1388. Em 1399 os Albati e os Bianchi já o cantavam  na procissão dos Nove Dias em Provence. Parece que o texto foi roubado da Igreja da Sequência pelos heréticos. Se realmente o hino foi escrito por Jacopone, partiu dos mosteiros para uso popular diretamente, o que não era comum na época.

O hino já teve como prováveis autores S. Gregório o grande (d. 604), S. Bernardo de Clairvaux (d. 1153), Inocente III (d. 1216), S. Boaventura (d. 1274), Jacopone da Todi (d. 1306), o papa João XXII (d. 1334) e Gregório XI (1378). Destes, os mais prováveis são Inocente III e Jacopone. Benedito XIV atribui sem dúvida a Inocente. Mone e Hurler também fazem essa atribuição. Já Dufield (Latin Hymns Writers and Theyr Hymns) e Mearns in Julian (Dictionary  of Hymnology) rejeitam. Gregorovius acha que "o intelecto frio e majestoso do papa" não o tornaria capaz de elaborar um poema com tal  doçura e suavidade calorosa. S. Tomás de Aquino é quem faz uma referência a um manuscrito do século 14 contendo poemas de Jacopone dentre eles um Stabat. O argumento para Jacopone não é satisfatório.Seus hinos, escritos no dialeto umbriano tornaram-se populares e merecem respeito, mas muitos certamente não são seus (é duvidosos até se ele escreveu algum), ou em todo caso, qualquer coisa melhor que imitações de hinos em latim.

O Concílio de Trento e o Papa Pio VI quiseram abolir seu uso litúrgico, provavelmente devdido à sua popularidade, e de fato em 1570 foi proibido. O Papa Benedito XIII em 1727 autorizou seu retorno para a festa das Sete Dores, realizada no dia 15 de Setembro.

 

Tradução:

Stabat mater dolorosa 

juxta crucem lacrimosa,

dum pendembat filius

Estava a mãe dolorosa

chorando junto à cruz

da qual seu filho pendia

Cujus animam gementem

contristatam et dolentem,

pertransivit gladius

sua alma soluçante

inconsolável e angustiada

era atravessada por um punhal

O quam tristis et aflicta

fuit illa benedicta

mater unigeniti!

Ó, quão triste e aflita

estava a bendita mãe

do Filho Unigênito!

Quae  moerebat et dolebat, 

et tremebat, cum videbat,

nat poenas incliti

Transpassada de dor,

chorava, vendo

o tormento do seu Filho

Quis est homo, qui non fleret,

Christi matrem si videret,

in tanto supplicio?

Quem poderia não se entristecer

Ao contemplar a Mãe de Cristo

sofrendo tanto suplício

Quis non posset contristari

piam matrem contemplari

dolentem cum filio?

Quem poderia conter as lágrimas

vendo a mãe de Cristo

dolorida junto ao seu Filho?

Pro pecatis suae gentis

vidit Jesum in tormentis

et flagellis subditum

Pelos pecados do seu povo

Ela viu Jesus no tormento,

Flagelado por seus súditos

Vidit suum dulcem natum

moriendo desolatum,

dum emisit spiritum

Viu seu doce Filho

morrendo desolado

ao entregar seu espírito.

Eia, mater, fons amoris

me sentire vim doloris

fac, ut tecum lugeam

Ó mãe, fonte de amor,

faz como que eu sinta toda a sua dor

para que eu chore contigo.

Fac, ut ardeat cor meum 

in amando Christum Deum,

ut sibi complaceam

Faz com que meu coração arda 

no amor a Cristo Senhor

para que possa consolar-me

Sancta Mater, istud agas,

Crucifixi fige plagas,

cordi meo valide

Mãe Santa, marca profundamente

no meu coração

as chagas do teu Filho crucificado

Tui nati vulnerati,

tam dignati pro me pati,

poenas mecum divide

Por mim, teu Filho coberto de chagas

quis sofrer seus tormentos,

quero compartilhá-los

Fac me vere tecum flere,

crucifixo condolere,

donec ego vixere

Faz com que eu chore

e que suporte com Ele a sua cruz

enquanto dure a minha existência

Juxta crucem tecum stare

te libenter sociate

in planctu desidero

Quero estar em pé.

ao teu lado, junto à cruz

chorando junto a ti.

Virgo virginum praeclara,

mihi jam non sis amara

fac me tecum plangere

Virgem de virgens notável,

não sejas rigorosa comigo,

deixam-me chorar junto a ti

Fac ut portem Christi mortem

passionis fac consortem

et plagas recolere.

Faz com que eu compartilhe a morte de Cristo

que participe da Sua paixão

e que rememore suas chagas

Fac me plagis vulnerari,

cruce hac inebriari

ob amorem filii

Faz como que me firam suas feridas,

que sofra o padecimento da cruz

pelo amor do teu Filho

Inflammatus et accensus,

per te, virgo, sim defensus

in die judicii.

Inflamado e elevado pelas chamas

seja defendido por ti, ó Virgem,

no dia do juízo final.

Fac me cruce custodiri,

morte Christi praemuniri,

conforverti gratia.

 

Faz com que eu seja custodiado pela cruz,

fortalecido pela morte de Cristo

e confortado pela graça.

 

Quando corpus morietur

fac, ut animae donetur

paradisi gloria.

 

Quando o corpo morrer,

faz com que minha alma alcance

a glória do paraíso.

 

Amen. In sempiterna saecula. Amém. Pelos séculos dos séculos

Este texto pertence à versão de Giacomo Rossini. Há muita variação nos diversos textos musicados, com mudança de algumas poucas palavras, mas que mantém o mesmo sentido. No Speciosa,  trocam-se algumas palavras como neste exemplo da primeira stanza:

Stabat mater speciosa

juxta foenum gaudiosa

dum jacebat filius

Estava a mãe radiante 

junto à manjedora, cheia de júbilo

pelo seu Filho deitado

 

Por causa do seu caráter épico e lírico, o hino recebeu musicalização diversa. Existem quatro versões, sendo que a autêntica foi encontrada no Gradual do Vaticano (1908). Joaquin des Prés (se. XV) escreveu um Stabat tão elaborado quanto suas maiores missas. Seu esforço se distanciou da imortal versão de Palestrina. A versão de Pergolesi fez com que o poeta alemão Tieck, confessasse que teve que "virar o rosto para esconder as lágrimas" especialmente na passagem "vidit sum dolcem natum". O de Haydn é considerado um "tesouro de melodia refinada e graciosa". Alguns nomes menos conhecidos são : Steffani, Clari, Astorga, Winter, Raimondi, Vito, Lanza, Neukomm. Rossini escreveu Guilherme Tell, antes do seu injustiçado Stabat, que não foi usado na liturgia por conta de sua beleza quase sensual, de acordo com os críticos da época. Dvorak com suas frases musicais originais, ilustrou a frescura perene do tema.

Autores da minha coleção pela ordem alfabética:

  1. Amaral Vieira (1952-  ) - Escrito em 1988, opus 240, numa primeira versão para solistas, coro e piano, sendo que a versão para orquestra de cordas só foi completada em 1989. A obra é dividida em várias partes de acordo com as diferentes seções do texto. Embora relativamente  independentes, as diversas seções da obra muitas vezes se complementam e se encadeiam de modo a criar um desenvolvimento temático contínuo. Com exceção da parte de soprano, cuja importância é primordial nessa obra, as vozes solistas funcionam como ponto de articulação da estrutura musical através de suas breves intervenções. apesar do caráter trágico e sombrio do texto, a obra conclui numa nota de otimismo exultante e vitorioso, como um símbolo de redenção humana pelo martírio e sofrimento de Cristo. Amaral Vieira é um dos grandes compositores brasileiros contemporâneos. O CD ainda trás uma Missa Pro Defunctis. Paulus, 11332-8, Slovak Filarmonica Orchestra. Solista: Kohutkova.
  2. d'Astorga (1680-1757) - Considerado o maior por alguns, é uma obra coral muito bem elaborada
  3. Bach, J S (1685-1750) - Bach reescreveu a obra de Pergolesi à sua maneira em 1740 (Tilge, Höchter, meine Sünden - BWV 1083) ) usando um texto do Salmo 51 da Bíblia luterana (Miserere mei Deus), com rimas de 3 stanza, de autor alemão desconhecido. Esta obra reescrita por Bach foi descoberta em 1946 por Karl Straube, a qual encontrava-se na Biblioteca da Cidade de Berlim e estava incompleta (só continha o vocal, parte do primeiro violino e o baixo). Em 1962 Alfred Dühr encontrou cópias  das partes restantes feitas por Johann Christoph Altnickol (aluno de Bach), completadas pelo próprio Bach. É um confronto muito interessante entre o gosto galante da época de Pergolesi com o senso de penitência luterano. Série Tempéraments da Radio France, DDD, 316020.
  4. Bocherinni (1743-1805) - Belíssimo, mas pegando uma carona em Pergolesi. Como Bocherinni passou algum tempo na Espanha, sofreu uma grande influência da música local, o que deu um efeito muito interessante à obra.
  5. Bononcini (1677-1736) - Era italiano, mas compôs este Stabat em Viena. De acordo com os críticos é muito parecido com os de Astorga e de Caldara, o que eu não concordo. Ainda de acordo com eles a música está mais para alemã que para italiana, o que eu também não concordo. Acho-a muito "vivaldiana". Está dividida em XIII partes. Curiosamente começa com um coro infantil e também termina com. Destaque para o trabalho do contratenor, especialmente no fac me vere tecum flere, junto com o cello. O coro pro peccatis suae gentis é belíssimo, especialmente seu final. 
  6. Caldara, A (?) - Da mesma forma que Bononcini, foi escrito em Viena. Caldara era de Veneza. A maioria das suas obras são vocais. Este Stabat é a sua obra sacra mais conhecida
  7. Canto gregoriano - In festo septem dolorum B.M.V. (sequentia). Executado pelos Beneditinos da Abadia de Saint-Maurice & Saint-Maur Clervaux (Luxembourg) - CD Polygram Pt 441858-2.
  8. Castro Lobo (? - 1832) - João de Deus de Castro Lobo, compositor brasileiro, era  filho de Gabriel de Castro Lobo, músico profissional. Foi batizado  em Vila Rica no dia 16 de março de 1794. Faleceu precocemente em 1832, deixando 23 obras conhecidas. João de Deus musicou apenas as stanza 1, 5, 9 e 10. Na quarta utiliza a variante et tremembat com videbat ao invés de pia Mater dum videbat. No segundo movimento ele usa o dolorosa et lacrimabilis da Missa do Setenário das Dores e depois volta ao texto original, no compasso 18 (quis est homo...) É para coro misto, violinos, viola, duas flautas, trompa e baixo.
  9. Cornelius, P (1824-1874) - Peter Cornelius foi um compositor alemão. Foi contemporâneo de Wagner e Berlioz. Apesar da influência sua música não se parece nem  com a de um nem com a de outro. A sua principal intenção é expressar o texto. A obra é para quatro solistas, coro e orquestra.
  10. Fanaroli, Fedele (1730 - 1818) - Obra muito bela para contralto e soprano masculino. 
  11. Haydn, F. J. (1732-1809) - Hob. XX bis (1767) - Como curiosidade é o único Stabat que inicia com solo de tenor. Destaque para o Lacrymoso, com belíssimo solo de oboé e cantado pela contralto, como o acompanhamento plangente das cordas. Na época da composição, Haydn, já sob o protetorado dos Esterhazy era o Kapellmeister da corte teve acesso a uma orquestra enorme. Surpreendentemente compôs este Stabat para uma orquestra muito simples, com dois oboés e cordas apenas, talvez querendo destacar a pureza e ausência de ostentação da cena da mãe aos pés do filho morto. O resultado é um Stabat simples porém belíssimo, pois Haydn era extremamente religioso ao ponto de rezar diariamente pedindo inspiração.A obra se baseia nas estações da cruz, e por este motivo é caracteristicamente lenta e composta no tom trágico de sol menor, tendo apenas dois movimentos mais rápidos para o baixo (nº 5 e 11), estrategicamente colocados no fim do primeiro terço e no fim do segundo terço da obra. O coro dá estrutura a toda a composição e conclui com uma fuga longa em sol maior (evocando o Paraíso), o que lhe dá uma aparência sólida e estável.
  12. Liszt (1811-1886) - A obra que possuo é na versão para piano. É pequena e sem muita graça. Liszt fez também uma Speciosa (uma das poucas).
  13. Palestrina (c.1525 - 1594) - Cerca de dez minutos de música fazem desta obra uma miniatura em grande escala. É uma das obras mais queridas deste italiano. As harmonias hipnóticas são predominantemente modais, proporcionando assim uma ar nitidamente nostálgico à pintura verbal. Essa placidez da Virgem Maria contemplando o corpo do Filho crucificado está entre os mais fortes e comoventes retratos do final da Renascença. O ideal humanístico da capacidade da grande arte de redimir a alma humana é perfeitamente atingido na composição musical do texto de Palestrina. CD Naxos n. 8.550836. Schola Cantorum of Oxford sob a regência de Jeremy Summerly.
  14. Pergolesi (1710-1736) - de longe a mais conhecida e executada (vide texto). Este foi composto em 1736 para substituir o de Scarlatti que era executado em Nápoles na época. Foi sua última obra, pois morreu misteriosamente aos 26 anos, em março do mesmo ano. Das dezoito seções, 5 são duetos.
  15. Poulenc (1899-1964) - Composto em 1950. Para  coro (com solista soprano) e grande orquestra. Muitas vezes o coro aparece à capella, é uma obra grave e austera em alguns momentos. A obra foi feita em homenagem ao pintor Christian Bérard.
  16. Rossini (1792-1868) - Este Stabat já foi comparado à obra de Miquelângelo. Foi composto (com má vontade) na Espanha à pedido do prelado de Madrid, Manuel Fernández Varela. Não conseguiu completá-la por conta de um ataque de lumbago. Seu aluno Giovani Tadolini foi encarregado de fazê-lo, para conseguir entregar à tempo ao prelado, que morreu feliz. Só em 1842 Rossini fez a versão definitiva, que teve uma fama inesperada. É muito mais operístico que eclesiástico. Destaque para os quatro últimos movimentos. Os movimentos 2, 3, 4 e 10 são da última versão. É para 2 sopranos, tenor, baixo, coro e orquestra.
  17. Scarlatti, Domenico (1685-1757) - É uma monumental obra coral, com acompanhamento paupérrimo, quase à capella, porém de beleza singular. Dura aproximadamente 30 minutos. O coro parece ser enorme.
  18. Schubert (1797-1828) - dois, um bem pequenininho e outro enorme.
  19. Scymanowski (1882-1937) - Escrita entre 1924 e 1926, é uma obra para soprano, contralto e barítono solistas, coro e orquestra. Faz uso de idéias musicais tradicionais da Polônia, empregando técnicas modernas e antigas. CD Naxos 8.553687. Ainda traz  mais 4 faixas (Veni Creator, Litany to the Virgin Mary, Demeter, Penthesilea).
  20. Steffani, A. (1654-1733) - Compositor italiano (Castelfranco), viajou muito pelo mundo devido às suas atividades diplomáticas. Estudou na Alemanha (foi aluno de Kerll) e viveu muito tempo em Londres, onde foi presidente da Academia de Música Vocal. Foi contemporâneo de Handel. Este Stabat (composto em 1727) foi sua última obra, sendo necessários 2 sopranos, 3 tenores, 1 baixo, 2 violinos, 3 violas, violoncelo e baixo contínuo. CD: Musica Bavarica, interpretada pelos: Carissimi Consort München, Convivium musicum München, Musica Rinata München, regidas por Weiman, Holler e Keller. É uma música do Alto Barroco, mas ainda num estilo muito diferente dos mestres alemães da época. Chega a ser rudimentar, apesar do seu rebuscamento polifônico.
  21. Vanhal (1739-1813) - Foi um dos maiores sinfonistas (escreveu mais de 70), amigo de Mozart e Haydn. Enlouqueceu entre 1769 e 1881, e vozes lhe diziam para destruir todo seu trabalho, e só escrever música sacra. Foi então para a Itália e retornou a Viena em 1780, curado. Escreveu 60 missas, 2 requiem, 60 motetos, litânias, árias, um Te Deum e uma Paixão (perdida). Seu Stabat foi composto na mesma tonalidade do de Pergolesi, Fá menor. Provavelmente Vanhal conhecia o trabalho de Pergolesi, e na época era comum se utilizar temas de outros músicos. A versão que tenho tem como característica a alternância de árias e duetos, só que com coral (ORFEU C 324941A Prager Kammerchor com Prager Kammerorchester, regida por Václav Neumann)
  22. Verdi (1813-1901) - Composta entre 1895 e 1897, faz parte das suas "Quattro pezzi Sacra". É uma obra para coro e orquestra. CD duplo da Decca (444833-2), traz também a Messa da Requiem.
  23. Vivaldi (1678-1741) - Curiosamente seus trabalhos sacros só vieram a ser conhecidos a partir da década de 20 deste século. Vivaldi, o "padre ruivo", era capaz de fazer uma pausa na Missa, para transcrever uma fuga na sacristia. Entretanto, seus trabalhos sacros nunca foram publicados em vida. Este magnífico Stabat pertence a uma primeira geração das suas músicas sacras (RV 621) Ele  não escreveu as 23 stanza normais, mas apenas dez (como nos hinos usados para as Vésperas), e utiliza a mesma música para diferentes textos (movimentos 1 e 3, 4 e 6), o que dá um resultado fascinante. Alterna o tempo em extremamente lento para denotar a tragicidade do texto, bem como partes solenes (Eja mater). CD Vivaldi Sacred music 5, Hyperion. The King´s Consort, regido por Robert King, solo do contratenor Robin Blaze. Também possuo versão para contralto (Dragica Kovacik) Pentagon Classics, executada pela Camerata Labacencis Slovenia, regida por Stano Jurgev.

Referências bibliográficas:

  1. Carpeaux, O M: Uma nova história da música. Edições de Ouro, 2a. edição, 1968
  2. Henry, H. T. & Masiclat, P D: Stabat mater. The Catholic Encyclopaedia, vol XV
  3. Música Sacra: Rossini (Stabat mater) Fascículo no. 24, 1996.
  4. Capas dos CDs.
  5. Velden, H.: The ultimate Stabat Mater Website

Outros sites:

  1. Prayer and Hymn
  2. Early Music Women Composers
  3. Stabat Mater virtual - Pronúncia e som
  4. Thesaurus precum latinarum
  5. Stabat Mater speciosa
  6. CPDL - The choral public domain library
  7. Stabat Mater Dolorosa - Immaculata (site da Tchecoslováquia)

Página atualizada em: 20/04/2007

 

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