MINHAS POESIAS
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Prelúdio
"Louvo aquela
que no roçar da noite
acorda calada
pra gritar depois.
A luz,
que escondida estava
nas mãos suplicantes
de um dia a vir,
sai de arma em punho
sem testemunha
pra's vias-de-fato.
Acende a crueldade insana
da vida mundana,
tal qual retrato
de lambe-lambe.
Mas vai e volta
num lusco-fusco
que cumulus nimbus
sombreiam.
E apaga afoita,
devagarinho,
o que semeia,
pra que reine
a noite".
Stefan Welkovic
Alfarrábios
(ou Meus livros, somente, lembram, as capas vagas, apagadas de mim, no fim dos tempos) Dezembro de 1998
Meus livros
são como borboletas douradas
que doutos me deram
para que enfeitassem minhas
circunvoluções cinzentas.
Somente
a transpor barreiras encefálicas
não está meio mundo.
Mas, as partituras eólicas
circunvagam pelas esquinas
do meu cerebelo,
como vagueiam
céleres piolhos
nas melenas dos provectos
parcos cabelos.
Lembram,
que das páginas
de bodas retrógradas,
hipóteses nulas florescem
das páginas amarelas, oxidadas
pelo inexorável tempo,
que se esvai.
As capas,
duras,
mostram indícios
das poucas palavras que ornam
o verso do frontispício.
Vagas,
elas fogem
murmurando tartamudas
coisa sem coisa
que nada dizem.
Apagadas
as letras douradas
que encimam lauréis,
com ciúme
dão nome
a um monte de papéis.
De mim,
apenas
sento e olho,
meus livros
calados,
que no seu silêncio,
vertem furtivas lágrimas
No fim dos tempos
aguardam,
o fragmento da hora,
para abrir melosamente,
suas belas, leucóticas
e intransigentes
páginas,
só para mim.
PAS-DE-DEUX
Quando o sol nasceu
eu vi você brilhando
na linha do horizonte,
como a vontade
que de lhe ver me deu.
E quando escureceu,
a noite escondeu,
a saudade da luz daquele beijo
que certamente
você não esqueceu.
E rasgando a madrugada
eu vi um sonho azul,
que pintando o firmamento,
brotou dele o sol mais lindo,
da cor da maior saudade
rebentando dentro.
E rasgando o peito
eu me miro nele
e nele me abraço,
pois que na sua falta
com ele me contento.
Me mostra nos seus raios densos
a cor da esperança, na qual sentado penso.
E no dia em que voltando, eu de pé lhe encontre,
e a vendo do meu canto o amor eu cante,
para dançar consigo na linha do horizonte.
O beijo que não me destes
Caiu no chão
a flor vermelha pura,
cor dos lábios teus.
Do alto da formosura
recusas pálida,
cor dos lábios meus.
Pois que não me destes
a menor das pétalas
da menor das flores,
jardim dos lábios teus.
Não me entregastes
o que eu mais queria,
e o que eu mais sentia
não pude te dar.
Recebas, ao invés do beijo
(não que tenhas culpa),
este canto triste,
que me machuca.
Céu e terra 28.04.81
Fico troncho de saudade
quando me sento sozinho
debaixo do pé de algaroba
só pra pensar em você.
E concluo que só sobra
bem mais que a metade
pra completar o que falta
pra me inteirar do que sou.
E me sento sozinho
pra perceber que sossobram
os melhores intentos
pra me chegar a você.
E sinto que disto bem mais
que a algaroba das nuvens.
E insisto,
em teimar que um dia chova.
NO CASTELO DA RUA DA AURORA
Relevem os clementes
a agridoce injúria
dos que nada sentem.
Que se sente o fiel notívago
sob a marquise dos pardieiros
pois que vagueia nos sentimentos,
embriagado de escuridão.
Vagas são as fachadas
e as ameias tortas que vislumbraria,
não fossem mortas
as pernas nuas
que arrastam suas
cadeias grossas.
Dolentemente, e tão somente impediria,
o que seria inutilmente
o desvirginar da noiva noite.
E ele no lutulento e opaco piso,
jaz derrubado,
ventre ao chão,
com ar de riso,
não vê as velhas
estrelas frias
no frio chão.
RETIRANTE
Traz nos cabelos o pó dos tempos
dos traços obtusos de provectos mapas puídos
qual desvalido que a tudo encara contente
e asperge perdigotos na garganta hiante
da boca das grotas da terra ardente.
E lambuza os dedos na esfarinhada calda
do último taco de rapadura
que guardara no alforje roto
de cujo furo se vislumbrava
o doce segredo morto,
como buraco de fechadura.
E se foram sorrateiros
até os miasma dos últimos restos
das toscas vidas no sol rasteiro,
que douram infectos joelhos dobrados.
Persegue a antiga e carcomida
teimosia de viver.
Pois que a vida
só se revela
ser só sofrer.
A sua sombra esguia e fria
do dono zomba sem conhecer,
que genuflexo é o reflexo,
do supra-sumo
do Santo Ser.
O JOGADOR
Lépido e vulgar
o ser lúdico troa
como hidra alada
que não voa.
Intrépido lupanar,
em que habita
a vã virtude
que o ilude,
atrai
e trai
com seus tentáculos
amebóides
sugando sua seiva.
Destrói seus dons,
derrete os bens,
escalda os bons,
esfria a alma...
E o homem
deixa de ser homem
para ser um rato.
Luz (Dezembro de 1998)
Luz, metabólica,
fria faca de dois gumes,
que mergulha profunda, caótica
fazendo ruídos, caindo sem prumo,
vermelha, imunda.
no fruto maduro da ira.
E da vertente
pequena,
serpente,
se agiganta,
e briga com o mar.
Desce, lenta
rasgando a terra
e os montes espalha,
como folhas ao vento.
Silente, transforma
trovões em sussurros
e brisas em tornados.
Procura e distorce,
divididas, as dádivas douradas
aos doutores da lei,
que de lei nada procedem
posto que fossem estátuas,
enfeitando
a entrada dos templos.
Luz, que nos pórticos,
tenta trazer a lume,
qualquer coisa,
infame, mostra as dores.
Impudica,
abre a braguilha,
aos facínoras impunes,
fugitivos da maldade
e se batiza,
em nome da filha
da verdade.
Alfarrábios (ou Meus livros, somente, lembram, as capas vagas, apagadas de mim, no fim dos tempos) Dezembro de 1998
Meus livros
são como borboletas douradas
que doutos me deram
para que enfeitassem minhas
circunvoluções cinzentas.
Somente
a transpor barreiras encefálicas
não está meio mundo.
Mas, as partituras eólicas
circunvagam pelas esquinas
do meu cerebelo,
como vagueiam
céleres piolhos
nas melenas dos provectos
parcos cabelos.
Lembram,
que das páginas
de bodas retrógradas,
hipóteses nulas florescem
das páginas amarelas, oxidadas
pelo inexorável tempo,
que se esvai.
As capas,
duras,
mostram indícios
das poucas palavras que ornam
o verso do frontispício.
Vagas,
elas fogem
murmurando tartamudas
coisa sem coisa
que nada dizem.
Apagadas
as letras douradas
que encimam lauréis,
com ciúme
dão nome
a um monte de papéis.
De mim,
apenas
sento e olho,
meus livros
calados,
que no seu silêncio,
vertem furtivas lágrimas
No fim dos tempos
aguardam,
o fragmento da hora,
para abrir melosamente,
suas belas, leucóticas
e intransigentes
páginas,
só para mim.
Teu
testamento (junho de 2000)
Tua
tez triste, traz tanta tristeza.
Tempos
traídos, transbordando,
tiraram-te
toda trivial torpeza.
Tripudiação
tirana, trono torpe.
Tentas
transpor-te, transformar-te.
Travas
troncha trismos tetânicos.
Torces
transida teu torso torto,
tornas
terríveis torcicolos titânicos
Temes
transferir-me tudo trocado,
transparência
turva, trânsfuga tremente,
Terminas
tépida, toda transpiração.
Titubeias
tonta, tendo talvez tropeçado.
Testemunho
terno, teu terno testamento.
Teu
transe, transmite tenso, tua tesão.
(a
partir de foto de Murilo Maia)
A
solidão de um mar deserto, abriu braços ao infinito,
Pra
na mão caber-lhe poucos, do muito que lhe pertencia.
Mas
foi-se furta a alma decerto, pois que ma entregaria,
Não
que fosse solitária, mas reta e triste como um grito.
De
prata os grãos se pareciam, de anis água lambidos.
Num
tronco a dar guarida, sentar-se feito colo,
Ver
detrás do vulto pardo, que em mil fosse escolhido,
Não
o grão alabastrino, mas forrar extenso solo.
Dar,
claro-escuro, vão lampejo d´alma insone,
à
sombra longa e fugidia, toda de tons nublados,
a
recusar ingrata a lápide, branca como seu nome.
E
perdida foge certa, que há de ser no horizonte,
do
outro lado, que encontre, um raiar ensolarado.
Certo
sol de raio quente, que lhe beije a fronte.
(Junho de 2001)
Página atualizada em: 20/04/2007
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